Aliar

Entrevistas

Investimentos a longo prazo o que sua empresa precisa saber
         Tema abordado no 1º Bate Papo no Café da Manhã, realizado pela Aliar, instigou empresários de diferentes áreas. Para aprofundar o assunto, o diretor da Rosa, Naibert Projetos & Consultoria, Nelson Naibert, foi o convidado para o Momento Entrevista da Aliar.

Aliar: A busca por recursos é o desejo de muitos empresários, que se frustram ao entrar em contato com instituições financeiras por não consegui-lo, em sua opinião por que isso acontece?

Nelson Naibert: Primeiro temos que separar algumas coisas, no Brasil hoje o maior indutor do crédito de longo prazo (adequado a investimentos) é o sistema BNDES, que para operações de financiamento inferior a 10 milhões de reais, chamada operação indireta, é feita pela rede bancária repassadora (credenciada). Estes agentes, em geral, atuam através de suas agências locais e que, em geral, não tem a cultura do crédito de longo prazo, pois trabalham no seu dia a dia ofertando créditos de curto prazo, com taxas mais atrativas para o banco e pouco atrativa para financiamento de investimentos.
         O que acontece no contexto acima, geralmente as agências de municípios fora das capitais desconhecem a sistemática de funcionamento de uma aprovação de crédito de longo prazo ou até mesmo como funciona o sistema BNDES. Aí a problemática estabelecida, os empresários escutam em palestras das instituições de desenvolvimento sobre linhas automáticas e programas de financiamento, entendem que podem se habilitar nestes programas e vão buscar informações nas instituições financeiras, que não estando preparadas não conseguem fazer o entendimento e tão pouco dar a resposta ao empresário. Este por sua vez se frustra e desiste de buscar o recurso apropriado para seu crescimento. Isso tudo só acontece, porque há um despreparo da rede bancária em dar informações ou entender os procedimentos de encaminhar um financiamento de longo prazo. O BNDES disponibiliza em seu site um programa de treinamento para instituições financeiras, mas se não chegar uma ordem superior, dificilmente alguma agência vai fazer o curso.

Aliar: Quais as formas que as empresas podem captar recursos para expandir seus negócios? Há alguma mais indicada?

Nelson Naibert: Existem alguns modelos financeiros de captação de recursos para investimentos, mas cada um deles tem especificidade pelo tipo e tamanho do investimento.
         Podemos afirmar que o canal mais utilizado e indicado é o sistema BNDES, pois recebe demanda de micro, pequena, média e grande empresa. Também, porque este sistema se bem entendido dá o resultado esperado pelo empresário. Vale ressaltar que o sistema BNDES tem programas específicos por atividades e, conforme definição de prioridade da política industrial certos setores tem prazos e taxas atrativas.
        No Brasil poucos empresários tem a cultura de utilizar os recursos de longo prazo para financiar os investimentos, sendo que no mundo 80% das empresas utilizam estes recursos. Esta mentalidade faz com que boas empresas em períodos de instabilidade econômica quebrem ou tenham dificuldades, pois imobilizaram seus capitais e acabam buscando créditos de curto prazo mais onerosos, taxas de juros alta, pois há um risco maior na economia.

Aliar: Bons projetos muitas vezes são fatores que influenciam e muito na liberação ou não de recursos, em sua opinião quais os motivos que levam as empresas a não terem estes projetos?

Nelson Naibert: Para definir o êxito na captação de recursos de longo prazos, existem dois fatores: endógenos e exógenos.
        Os fatores exógenos relacionam-se com o entendimento das melhores opções de financiamento disponíveis no mercado e como utilizá-la em seus projetos. Os fatores endógenos relacionam-se com o lado íntimo da empresa, se realmente ela tem um projeto promissor, se sua condição de crédito atual permite o endividamento e até mesmo se há cuidado com a boa informação contábil.
      Em geral, as instituições financeiras apresentam modelos (formulários) definidos para análise de projetos, o que induz o empresário a pegar alguém na empresa para fazer este preenchimento e definir como projeto, entregando no banco para sua aprovação. O problema que ocorre é que os modelos são genéricos e precisam ser filtrados para adequar a sua pretensão de projeto. Também, em muitos casos, precisam de outros elementos que fazem parte do setor ou da atividade operacional da empresa e que não são solicitados. Outra questão importante é que as empresas acreditam que o volume de informação é o mais importante, o que os analistas dizem é que a “qualidade” da informação é o mais importante. Caso uma empresa incorra em apresentar muitas informações após a entrega do projeto, leva a uma demora na decisão, além do que, coloca em risco a credibilidade do projeto, pois o analista pode entender que a empresa não pensou em todos os elementos que são necessários para o êxito do projeto.
      Claro que vale ressaltar que a análise de um projeto de investimento é “subjetiva”. Quem analisa sempre tem sua visão e muitas vezes solicitam outros elementos para decidir, o importante de fazer um projeto profissional é que estes elementos se tornam secundários e sua solicitação, em poucas circunstancias, isso faz muita diferença no prazo de aprovação do projeto.

Aliar: Qual o papel do poder público (Prefeituras, Estado e União) para estimular o desenvolvimento local?

Nelson Naibert: Este tema é complexo, pois cada um destes entes tem sua parcela no processo para estimular o desenvolvimento local, mas entendo que a União faz algo mais macroeconômico e pontual por setor, o Estado faz suas políticas de desenvolvimento definida, em tese, a todos seus municípios, mas na realidade tem um componente político forte que deforma esta definição. Acredito que o grande desafio fica para os Municípios, pois com condições orçamentárias adversas e com políticas direcionadas a cuidar do trinômio: educação, saúde e segurança, esquecem ou deixam de lado o desenvolvimento, talvez aí esteja o erro, pois muitas questões ligadas a este trinômio referem-se diretamente ao desenvolvimento da geração de emprego e renda. Acredito que uma política eficaz de desenvolvimento do emprego nos mais diversos níveis, pode auxiliar nos desafios dos municípios, mas para isso os municípios devem deixar, ou melhor, buscar opções que os tornem menos dependentes das políticas definidas pelo Estado, deixar o estigma de ser o coadjuvante e se tornar o ator principal. Porque o Estado, em tese, tem que cuidar de todos os municípios!

Aliar: Ações conjuntas entre setor público e privado tem obtido êxito, como estimular estas parcerias?

Nelson Naibert: Em geral, os municípios tem dificuldade de falar a linguagem do empresariado ou de adotar limites para o que podem oferecer, criando o desequilíbrio.
       Isto torna a relação difícil e quase insustentável para o desenvolvimento, pois de um lado tem o setor público que oferta e não entrega e do outro o privado que cria a expectativa de receber e se frustra. O que seria importante é criar o equilíbrio entre conceder e pedir, o setor público deve ofertar o que pode entregar e a empresa solicitar o que seja factível de execução pelo setor público, mas tudo isso somente será possível se o setor público buscar conhecer melhor o privado no sentido de criar o ambiente apropriado para que se estabeleça o desenvolvimento.
     A forma de estimular tem início nas Leis de incentivos que devem ser claras e com definições que protejam ambos os lados, sem criar arroubos burocráticos, e da mesma forma estimulem a colaboração mútua. Uso um exemplo, em um município que tem pouca condição de ofertar infraestrutura na “área” que vai ser construído o empreendimento, pode criar um modelo de “doação condicionada” onde a lei determina as condições a serem cumpridas para que a área seja escriturada definitivamente em nome da empresa, isto faz com que o empresário entenda que está investindo em seu próprio patrimônio, desde que cumpra as condições. Claro que tem várias opções e modelos, mas todos tem que ter estudos adequados às condições locais.

Aliar: Um de seus cases de sucesso está muito ligado ao Estado do Rio de Janeiro, como foi este trabalho?

Nelson Naibert: Este foi um desafio interessante e muito instrutivo, pois inicialmente queríamos aplicar as técnicas que entendíamos ser importante aqui no RS, mas por uma frustração com o setor público nos direcionamos ao RJ, onde o Estado e os municípios entenderam a necessidade de trabalharmos em conjunto, onde inserimos a visão privada de investimento em conjunção com a realidade dos municípios. Vale ressaltar que não cobramos nada, somos parceiros nesta preparação.
       No RJ as coisas transcorreram de forma harmônica, com um resultado enorme, começamos em 2007, no município de Bom Jardim, distante 160Km da capital, com população de 25 mil habitantes, com a parceria do Prefeito implantamos no município 8 indústrias, investimento de 30 milhões de reais, geração de 1.000 empregos diretos. Em 2009 a pedido do Governador do RJ, Sergio Cabral, idealizamos e executamos a criação do Pólo de Desenvolvimento Econômico de Saquarema, município distante 100Km da capital, população de 80 mil habitantes, com a parceria fortíssima da prefeitura e expoentes da região, implantamos 30 indústrias, investimentos de 400 milhões reais, geração de 5.000 empregos diretos. Os resultados foram tão interessantes que estamos recebendo o reconhecimento do Estado do RJ no dia 24/10 vou receber o título de cidadão do Estado do Rio de janeiro, em cerimônia na Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro.
      Hoje existem várias alternativas, o que falta é vontade política e empresarial.

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